Voamos até à Ilha da Páscoa, que se revelou uma aventura. Descobrimos que a pré-reserva do hotel, da internet, nao havia funcionado, pelo que tivemos que arranjar um outro em sobressalto. Ana Rapu Cabanas. Pareceu-nos muito bem e por ali nos instalamos. Entretanto conhecemos Clair, uma britânica com um inglês cerradissímo e que acabou por passar o final de tarde connosco numa esplanada a apanhar sol. Ainda deu para ver o pôr-do-sol do nosso quarto, que estava mesmo na primeira linha do mar. Jantámos qualquer coisa e fomos descansar, pois no dia seguinte queriamos começar o nosso itinerário.
Depois do pequeno-almoço e através do contacto da Ana Rapu, alugámos uma scooter e os problemas começaram. Na ilha só funcionam MasterCard, apesar dos 2 ATMs que existem, e o banco (para fazer cash-advance) diz que a ligaçao com o BCP nao funciona! Tentamos telefonar para a nossa agência bancária, mas lembramo-nos que eram +7 horas do que cá, ou seja noite densa! Merda! Estamos sem "guito"!
Conseguimos adiar o pagamento da scooter para o dia seguinte e pusemos o pé na estrada e 2 paes na algibeira para o dia todo! O mau tempo começava a fazer-se sentir, mas mesmo assim queriamos conhecer os mistérios da Ilha pelas suas famosas Moai. As estradas de terra batida escura, foram o primeiro obstáculo. Depois a chuva! Imaginem que as expectativas eram encontrar uma ilha paradísiaca com um sol esplendoroso (tipíco do pacífico). Decidimos chegar à cratera do extinto vulcao Rano Aroi. Ao final de uma hora de caminhada e de descobrirmos que estavamos no trilho errado.... decidimos voltar para trás, famintos, cansados e apressados, nao fosse escurecer e estarmos no fim do mundo, sem luz, gente, NADA!
No dia anterior haviamos combinado com a tal britânica assistir a um espectáculo de dança tradicional. Contudo sem "guito" estava complicado. Passámos no hotel dela para a avisar e foi aí que encontramos a soluçao: A recepcionista ajudou-nos e encaminhou-nos para um pronto-a-vestir que aceitava pagamentos com cartao VISA e, com uma "insignificante" comissao de 15%, deixou-nos "levantar" 100.000 pesos! Fomos roubados e ficamos felizes com isso! Vá-se lá entender o capitalismo. Depois do programita da noite, deitámo-nos em cansaço desperto: "Amanha é que vai ser!".
Esqueçam! Todo o dia foi em tempestade agitada, ventos fortes, muita chuva, lama, tudo! Tentámo-nos preparar para o pior: trocamos a scooter por um jipe fraco e velho, e metemo-nos à estrada. Um impermeável (da Tânia) e outro que diz que é uma espécie de impermeável! Muita chuvinha apanhámos! Foi uma árdua tarefa tentar fazer o programa turístico que haviamos definido - a costa sul. 3 horas depois regressavamos com meia dúzia de fotografias desfocadas, uma máquina com principios de humidade e no corpo o peso da roupa encharcada! Mas o pior estava para a acontecer: chovia na cabana! Só mesmo numa ilha paradisíaca do pacifico isto pode acontecer! Se nos deixarem sair daqui, partiremos amanha para a Patagónia...



